Síndrome do impostor: o que é, como surge e como tratar

Desenvolvimento Pessoal

A síndrome do impostor pode gerar dúvidas recorrentes sobre a própria competência. Veja como ela surge e quando buscar ajuda.

17/10/2024 | 11 min de leitura

Receber uma promoção ou assumir uma responsabilidade nova costuma trazer entusiasmo, mas pode vir acompanhado de uma dúvida incômoda: “Será que eu realmente dou conta?”. Em alguns casos, mesmo diante de resultados positivos, a pessoa interpreta a conquista como sorte ou acredita que, em breve, os outros perceberão que ela não é tão competente quanto parecem imaginar.

A síndrome do impostor descreve esse padrão recorrente de autopercepção. Ela leva profissionais capazes a desconsiderar evidências do próprio trabalho, mantendo a sensação de que não merecem o reconhecimento que receberam. Ao longo deste conteúdo, você verá como esse fenômeno pode surgir e de que forma ele interfere nas decisões de carreira.

O que é a síndrome do impostor?

A síndrome do impostor, também chamada de fenômeno do impostor, é a dificuldade persistente de reconhecer as próprias competências e conquistas. Quem vivencia essa experiência pode atribuir uma promoção ao acaso ou imaginar que um bom resultado ocorreu porque recebeu ajuda demais, embora existam elementos concretos que indiquem preparo e dedicação.

O termo foi apresentado pelas psicólogas Pauline Rose Clance e Suzanne Imes no artigo “The Imposter Phenomenon in High Achieving Women”, publicado em 1978. A pesquisa inicial observou mulheres com alto desempenho que, apesar do histórico acadêmico e profissional, acreditavam estar enganando as pessoas ao seu redor.

A insegurança pontual, especialmente depois de iniciar uma função ou entrar em uma equipe diferente, é uma reação humana comum. O fenômeno do impostor ganha outra proporção quando a dúvida se repete e impede a pessoa de incorporar os próprios resultados à maneira como se enxerga. Embora a expressão use a palavra “síndrome”, ela não figura como diagnóstico oficial no DSM, como explica a American Psychological Association.

Como surge a síndrome do impostor?

Não há uma causa única para a síndrome do impostor. A forma como cada pessoa lida com reconhecimento, erro e comparação é influenciada por experiências anteriores, pelas relações que estabeleceu e pelo ambiente em que trabalha. Por isso, dois profissionais que recebem o mesmo feedback podem interpretar a situação de maneiras muito diferentes.

O perfeccionismo pode contribuir para esse padrão quando qualquer falha passa a ser entendida como prova de incompetência. Em vez de considerar que uma entrega tem pontos a melhorar, o profissional transforma um ajuste específico em um julgamento sobre toda a sua capacidade. Depois de uma frustração, essa leitura tende a aumentar o receio de assumir uma tarefa parecida.

A comparação social também influencia esse processo. Ao observar apenas resultados prontos de colegas ou referências do setor, a pessoa pode concluir que está atrás dos demais, sem conhecer o trabalho necessário para alcançá-los. Ambientes muito competitivos podem reforçar essa sensação, sobretudo durante mudanças profissionais, como a entrada em uma área nova ou a primeira experiência de liderança.

Quais são os principais sintomas da síndrome do impostor no trabalho?

No trabalho, a síndrome do impostor pode aparecer por meio da desvalorização das próprias conquistas ou do medo recorrente de ser exposto como incompetente. A presença de um ou mais dos sinais descritos a seguir não confirma, por si só, que a pessoa vivencia o fenômeno. A frequência, o contexto e, principalmente, o impacto dessas reações precisam ser considerados com cuidado.

Desvalorizar as próprias conquistas

Uma pessoa pode receber uma avaliação positiva e concluir que o gestor foi generoso demais. Quando é promovida, talvez pense que a empresa não encontrou alguém melhor para a vaga. O resultado existe, mas deixa de ser reconhecido como consequência de suas escolhas e competências.

Preparar-se de forma excessiva por medo de exposição

Antes de uma apresentação, o profissional pode revisar o material repetidamente por acreditar que precisa dominar cada detalhe. Uma pergunta comum da audiência, então, é interpretada como sinal de que ele foi desmascarado. Esse nível de tensão costuma tornar tarefas rotineiras mais desgastantes do que precisam ser.

Ter dificuldade para aceitar feedback positivo

Elogios também podem gerar desconforto. Em vez de ouvir o retorno e identificar o que fez bem, a pessoa tenta justificar por que ele não deveria ter sido dado. Com o tempo, essa postura dificulta a construção de uma visão mais equilibrada sobre o próprio desempenho.

Evitar oportunidades por receio de falhar

O medo de não corresponder pode levar alguém a deixar de se candidatar a uma promoção ou a adiar o início de um projeto. Há casos em que o profissional só se sente autorizado a agir quando acredita estar totalmente preparado, condição que raramente aparece em situações reais de trabalho.

Como a síndrome do impostor se relaciona com o TDAH?

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento marcada por sintomas persistentes que podem envolver dificuldade de atenção e impulsividade. Segundo o National Institute of Mental Health, esses sinais começam na infância e podem afetar o desempenho escolar ou profissional na vida adulta.

Dificuldades para cumprir prazos ou para organizar o trabalho podem alimentar pensamentos de inadequação, principalmente em pessoas que receberam críticas frequentes ao longo da vida. Isso, porém, não significa que quem tem TDAH desenvolverá síndrome do impostor, nem que a sensação de ser uma fraude indique a presença de TDAH.

Um estudo assinado por Julie M. Hall, Aubrianna L. Stuckey e Steven L. Berman foi publicado em 2026 na revista Behavioral Sciences. A pesquisa avaliou 500 universitários por meio de questionários on-line e identificou níveis mais altos do fenômeno do impostor entre os participantes cujas respostas indicavam maior intensidade de sintomas de TDAH. Como o estudo foi transversal e se baseou em respostas autodeclaradas, ele aponta uma associação, mas não permite concluir que o TDAH cause o fenômeno do impostor. Portanto, o diagnóstico de TDAH depende de uma avaliação profissional que considere quando os sintomas começaram e como eles aparecem no cotidiano.

Por que a síndrome do impostor prejudica o seu crescimento profissional?

Se um profissional achar que suas conquistas são um equívoco, provavelmente tomará decisões com medo de ser exposto. Ele poderá recusar desafios que teria condições de enfrentar ou permanecer em uma função que já não corresponde aos seus objetivos, porque acredita que ainda não merece buscar algo diferente.

A busca pela perfeição pode levar a pessoa a dedicar mais tempo do que o necessário a uma tarefa. Ao tentar eliminar qualquer possibilidade de erro, ela adia decisões e deixa outras atividades importantes para depois. Em posições de liderança, esse padrão também pode dificultar a exposição de ideias em reuniões ou a delegação de responsabilidades.

No Brasil, autores vinculados ao Centro Universitário Christus e à Universidade Federal do Ceará avaliaram 425 estudantes de Medicina. O estudo, publicado em 2022 na Revista Brasileira de Educação Médica, encontrou associação entre níveis mais intensos do fenômeno do impostor e duas dimensões do burnout: exaustão emocional e descrença. Como a pesquisa foi transversal e ocorreu em uma única instituição, os resultados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito nem devem ser generalizados para todos os profissionais.

Para quem deseja cursar uma pós-graduação como parte de um plano de carreira, a Mentoria Personalizada da Pós-graduação FAE é uma oportunidade na qual o aluno e o coordenador podem, por meio de conversas individuais, analisar a carreira e alinhar expectativas. Essa orientação ajuda o aluno a escolher o curso mais adequado aos seus objetivos profissionais, sem substituir o cuidado com a saúde mental.

Como tratar síndrome de impostor?

A síndrome do impostor não deve ser tratada automaticamente como uma doença ou transtorno. A maneira de lidar com ela depende da intensidade da insegurança e do impacto que provoca. Quando a dúvida interfere no trabalho ou alcança outras áreas importantes da vida, uma medida indicada é a busca por apoio profissional.

Compare a interpretação com os fatos

Depois de concluir uma entrega, registre o que foi solicitado e o que você conseguiu realizar. Ao receber um feedback positivo, procure identificar a ação específica que gerou aquele retorno. Esse exercício ajuda a confrontar a ideia de que todo reconhecimento foi imerecido com situações que podem ser observadas.

Peça feedback com perguntas objetivas

Em vez de perguntar genericamente se seu desempenho foi bom, converse com a liderança sobre a expectativa do projeto e sobre o próximo ponto que precisa desenvolver. Um retorno específico mostra o que já está adequado e delimita aquilo que ainda exige aprendizado, evitando que uma dificuldade localizada pareça um problema geral.

Defina um critério suficiente para cada tarefa

Antes de começar uma atividade, estabeleça o que precisa estar pronto para que ela possa ser entregue. Reserve um momento para revisão, mas evite transformar esse cuidado em uma tentativa de prever todas as críticas possíveis. Trabalhar com critérios claros reduz o espaço para exigências impossíveis de cumprir.

Procure apoio em saúde mental quando necessário

A psicoterapia pode oferecer um espaço para examinar padrões de autocrítica e os efeitos que eles têm sobre a rotina. Se houver suspeita de TDAH, ansiedade ou outra condição de saúde, a avaliação deve ser feita por um profissional habilitado. É necessário buscar ajuda para compreender melhor o que está acontecendo.

Reconheça suas competências e planeje seu desenvolvimento

A síndrome do impostor faz com que uma pessoa questione a própria competência, mesmo quando há resultados que apontam outra direção. Reconhecer esse padrão ajuda a distinguir uma necessidade específica de aprendizado de uma crença ampla de incapacidade, que pode limitar escolhas profissionais.

Desenvolver conhecimentos pode fazer parte do planejamento da carreira, desde que o estudo esteja ligado a objetivos concretos e não a uma tentativa de provar o próprio valor. Se você busca ampliar sua atuação ou se preparar para um novo desafio, conheça os cursos de pós-graduação da FAE e avalie qual opção dialoga com o momento que vive profissionalmente.

Faça a sua inscrição em uma das melhores business school do país.

Inscreva-se