Gerente de performance industrial da Renault do Brasil, Fabiano Rosani Silva, e o pró-reitor de Ensino, Pesquisa e Extensão da FAE Centro Universitário, Everton Drohomeretski.

Gestão de operações e supply chain: como entregar valor?

Desenvolvimento Profissional

Gestão de operações e supply chain exigem visão estratégica, integração e foco no cliente. Entenda como essas áreas geram valor nas empresas.

14 min de leitura

A gestão de operações e o supply chain ganharam um novo peso dentro das organizações. Durante muito tempo, essas áreas foram associadas a processos internos, controle de estoque, compras, logística e eficiência produtiva. Hoje, essa visão ficou pequena diante da complexidade do mercado.

Empresas de diferentes segmentos precisam lidar com cadeias globais, mudanças rápidas na demanda, pressão por custos, novas tecnologias e clientes menos dispostos a esperar. Nesse cenário, uma operação eficiente começa no entendimento do que gera valor para as pessoas e se mantém pela capacidade de transformar esse valor em entrega real.

Esse foi um dos pontos centrais do
episódio 6 do Conexão Pós, podcast da Pós-graduação FAE, com a participação do gerente de performance industrial da Renault do Brasil, Fabiano Rosani Silva; do coordenador da Pós-graduação em Gestão Estratégica de Operações e Supply Chain Management da FAE, Gilson Souza; e do pró-reitor de Ensino, Pesquisa e Extensão da FAE Centro Universitário, Everton Drohomeretski.

A conversa reforça uma ideia importante para profissionais e empresas: operações e supply chain ocupam um papel estratégico porque conectam planejamento, execução e resposta ao mercado. Quando essas áreas funcionam bem, a organização ganha mais clareza para decidir, ajustar processos e entregar aquilo que o cliente realmente espera.


O que é gestão de operações? 

Gestão de operações é a área responsável por organizar os processos que transformam recursos em produtos ou serviços. Em uma indústria, isso aparece na forma como a produção é planejada e acompanhada. Em uma empresa de serviços, está no modo como a entrega é estruturada para cumprir o que foi prometido ao cliente.

Na prática, toda organização tem operações. Um hospital, uma fintech, uma universidade, uma empresa de tecnologia, uma montadora e um evento esportivo dependem de processos bem conduzidos para funcionar. Por isso, falar de gestão de operações é falar sobre a capacidade de uma empresa cumprir sua proposta de valor de forma organizada e eficiente.


Essa área exige método e clareza sobre o resultado esperado. Quando a operação perde conexão com o cliente, o processo pode até parecer eficiente internamente, mas deixa de gerar valor na ponta.

No episódio,
Fabiano Rosani Silva relaciona esse desafio à complexidade atual das cadeias produtivas. Segundo ele, “as operações se tornaram globais”. Essa frase resume bem o novo cenário: uma decisão local pode depender de fornecedores, modais, sistemas e equipes distribuídas em diferentes partes do mundo.

O supply chain vai além de compras e logística? 

Uma das confusões mais comuns é reduzir supply chain a compras e logística. Essas funções fazem parte da cadeia de suprimentos, mas não explicam tudo. Supply chain envolve a integração entre fornecedores, processos internos, distribuição, informação e cliente final.

Everton Drohomeretski, pró-reitor da FAE, resume essa mudança de olhar ao afirmar que, “quando falamos em supply chain, nós falamos de gente”. A provocação é relevante porque desloca o foco da estrutura para a finalidade. A cadeia existe para atender uma necessidade, e essa necessidade precisa ser compreendida antes das decisões operacionais.

Isso muda a forma de pensar estoque, transporte, tecnologia e prazo. Em alguns mercados, o cliente aceita esperar. Em outros, a falta de disponibilidade faz com que ele procure outra empresa. Portanto, o profissional de supply chain precisa entender a tolerância do cliente e o impacto financeiro de não entregar.

Essa visão também ajuda a evitar decisões automáticas. Aumentar estoque, cortar custos ou investir em tecnologia pode ser correto em alguns contextos e inadequado em outros. O ponto central é compreender o que gera valor para o cliente e, a partir disso, desenhar a cadeia mais coerente para aquela entrega.

Como desenvolver resiliência operacional com planejamento? 

A pandemia deu mais visibilidade à importância das cadeias de suprimentos. A escassez de componentes, os gargalos logísticos e a dependência de fornecedores globais mostraram que muitas empresas estavam vulneráveis. Porém, os desafios não terminaram naquele período.

Questões climáticas, tensões geopolíticas, mudanças regulatórias e instabilidades no transporte seguem afetando as operações. Por isso, a resiliência deixou de ser uma resposta emergencial e passou a compor a competência das organizações.

Fabiano Rosani Silva explica esse ponto de forma objetiva: “A característica das operações é a reação, mas é a reação estruturada”. Para ele, essa capacidade envolve estratégia, processos, pessoas e dados para responder melhor quando o cenário muda.

Essa leitura é importante porque a
resiliência operacional não depende, necessariamente, de prever tudo. Ela depende de criar condições para reagir com mais critério quando algo sai do planejado. Em uma cadeia de suprimentos, isso pode envolver rotas alternativas, novos fornecedores, revisão de prioridades ou reorganização da capacidade produtiva.

Para o profissional da área, esse cenário exige repertório prático. Decidir em operações envolve lidar com restrições, avaliar impactos e manter a entrega em funcionamento mesmo quando o ambiente muda.

Como a tecnologia pode estar a serviço da geração de valor? 

A tecnologia tem um papel decisivo em operações e supply chain. Sistemas integrados, inteligência artificial, automação, rastreabilidade e análise de dados ajudam a evitar falhas e melhorar a tomada de decisão. Ainda assim, a tecnologia sozinha não torna uma empresa competitiva.

Esse foi um alerta recorrente no episódio.
Everton pontua que o investimento em tecnologia não é diretamente proporcional à competitividade. O que importa é a capacidade de usar a ferramenta certa para gerar valor ao cliente.

O
avanço da digitalização mostra que a tecnologia já faz parte da realidade das operações. Segundo dados da PINTEC 2024, divulgados pelo IBGE, 89,1% das empresas industriais brasileiras com 100 ou mais pessoas ocupadas utilizaram pelo menos uma tecnologia digital avançada em 2024, como computação em nuvem, internet das coisas, inteligência artificial, análise de big data, manufatura aditiva ou robótica. O uso de inteligência artificial também cresceu de forma expressiva, passando de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024.

Esses números mostram que a discussão deixou de ser sobre adotar ou não tecnologia. A questão central passou a ser como aplicar essas ferramentas com critério. Em operações e supply chain, a tecnologia precisa melhorar o processo, apoiar decisões e contribuir para a entrega de valor. Quando entra antes da revisão do problema, ela pode apenas tornar mais caro aquilo que já não funcionava bem.

Essa discussão é muito atual. Muitas empresas se encantam com novas ferramentas, mas deixam de perguntar o que, de fato, precisa ser resolvido. A tecnologia deve entrar quando melhora a entrega, reduz erro, aumenta confiabilidade ou libera as pessoas para atividades que exigem análise e decisão.

Por que as pessoas continuam no centro da operação? 

Mesmo em ambientes altamente tecnológicos, as pessoas continuam sendo decisivas. Máquinas seguem padrões. Pessoas interpretam o contexto, aprendem com erros e encontram alternativas quando o processo previsto não funciona.

Fabiano Rosani Silva, gerente de performance industrial, relaciona esse ponto ao propósito da atividade. Segundo ele, “as pessoas precisam entender o propósito” e compreender “o papel dela dentro da organização”. Em uma operação complexa, essa clareza influencia diretamente a qualidade da entrega.

Quando o colaborador entende o impacto de sua função, ele tende a agir com mais responsabilidade diante do processo. Isso vale para atividades técnicas,
decisões de liderança e interações entre áreas.

Além disso, operações e supply chain exigem trabalho integrado. O profissional precisa lidar com pessoas de diferentes formações e áreas, pois uma cadeia de suprimentos depende de conexão entre quem planeja, compra, produz, distribui e atende o cliente.

Por isso, a formação técnica segue essencial, mas ganha força quando vem acompanhada de comunicação, escuta e atitude. O mercado valoriza quem consegue transformar conhecimento em entrega prática.

O profissional de operações precisa resolver problemas reais?

Quem deseja crescer em operações ou supply chain precisa ir além do domínio conceitual. Certificações, cursos e metodologias ajudam, mas ganham valor quando aparecem em situações concretas.

Nesse sentido, a
presencialidade dos cursos da Pós-graduação FAE contribui para aproximar a formação dos desafios vividos nas empresas. A troca em sala, o contato com professores atuantes no mercado e a discussão de casos reais ajudam o profissional a desenvolver uma visão mais aplicada sobre operações, supply chain e tomada de decisão.

O tempo de experiência também precisa ser analisado com cuidado. Um profissional pode acumular anos em uma função e repetir a mesma rotina. Outro pode ter menos tempo de mercado e já ter participado de projetos relevantes, com aprendizado real.

Por isso, a experiência mais valiosa é aquela que se transforma em aprendizado prático. Em operações, isso acontece observando o processo, testando soluções e ajustando a entrega a partir dos resultados. A base técnica é importante, mas o diferencial aparece quando o profissional aplica o que sabe com critério.

Esse é um ponto importante para quem
busca oportunidades na área. Ao falar sobre a própria experiência, o profissional precisa mostrar qual problema ajudou a resolver, explicando como analisou a situação e qual resultado foi alcançado. Essa resposta costuma revelar melhor o preparo do que uma lista extensa de formações.

Como a gestão de operações e supply chain se aplicam em diferentes segmentos? 

Gestão de operações e supply chain são áreas aplicáveis a diferentes setores. Embora tenham forte associação com a indústria, elas também aparecem no varejo, na saúde, na educação, no mercado financeiro, na tecnologia e em serviços.

Gilson Souza, coordenador da pós-graduação, explica essa conexão ao afirmar que a
gestão estratégica de operações envolve “como melhor se preparar para atender aquilo que é indispensável para o cliente final”. Já a cadeia de suprimentos, segundo ele, pode ser entendida como uma “organização estendida”, ou seja, uma rede que conecta empresa, fornecedores, fluxos de informação e entrega ao consumidor.

Essa definição ajuda a compreender por que essas competências atravessam segmentos. O profissional de supply chain não atua apenas em um tipo de empresa. Ele trabalha com uma lógica de integração, análise de demanda e entrega de valor que pode ser aplicada em diferentes mercados.

O contexto muda, mas a base permanece. Em alguns setores, a disponibilidade imediata é decisiva. Em outros, o cliente aceita prazos maiores. Em certas operações, o custo pesa mais. Em outras, confiabilidade e personalização têm mais valor.

Essa transversalidade faz com que a busca por uma formação de qualidade seja ainda mais relevante. Quem entende apenas a rotina de um setor pode ter dificuldade para se adaptar. Já quem compreende os fundamentos da área consegue transitar melhor entre diferentes desafios.

Como funciona a pós-graduação FAE em Supply Chain Management? 

Para quem deseja atuar com mais profundidade nessa área, a Pós-graduação em Supply Chain Management da FAE oferece uma formação conectada aos desafios atuais do mercado.

O curso aprofunda a complexidade dos fluxos de materiais e informações, com foco nas dinâmicas logísticas que conectam mercados globais. A formação também desenvolve visão estratégica sobre Planejamento e Controle de Operações, essencial para equilibrar demanda e capacidade produtiva na indústria e no setor de serviços.

Outro ponto importante é o uso de
Business Analytics para transformar dados em decisões mais inteligentes. Em cadeias de suprimentos modernas, dados ajudam a antecipar cenários, reduzir gargalos e melhorar a tomada de decisão.

A especialização também integra
Lean Thinking e Gestão de Sistemas da Qualidade, preparando o profissional para eliminar desperdícios e elevar padrões de entrega. Com isso, a formação contribui para quem busca liderar operações mais sustentáveis, competitivas e alinhadas às exigências do mercado global.

Ao final do curso, o profissional desenvolve competências para projetar e liderar cadeias de suprimentos, otimizar processos logísticos, utilizar dados como vantagem competitiva e implementar uma cultura de melhoria contínua.

Como aprofundar o conhecimento em gestão de operações e supply chain?

Gestão de operações e supply chain são áreas decisivas para empresas que precisam entregar valor em cenários complexos. Elas conectam estratégia, tecnologia, pessoas e processos em torno de uma pergunta central: o que o cliente realmente precisa receber?

O
episódio 6 do Conexão Pós aprofunda essa discussão com exemplos práticos e visão de mercado. Para entender melhor como esses temas aparecem no dia a dia das organizações, assista ao
episódio completo no YouTube ou acesse o site da FAE.

Uma boa operação se mede pela capacidade de entregar valor real, com eficiência, inteligência e preparo para lidar com mudanças. Em mercados cada vez mais integrados, essa competência tende a ser ainda mais importante para empresas e profissionais.

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